quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Cangaço






Cangaço foi um fenômeno nordestino integrado por nômades que usavam violência para cometer crimes na região.

O termo Cangaço é proveniente de canga, uma peça de madeira utilizada em pescoços de boi para transporte. Como os chamados cangaceiros tinham que carregar todos seus pertences junto ao corpo, deu-se o nome a partir da associação. O primeiro homem a ter agido como cangaceiro teria sido José Gomes ou Cabeleira, como era chamado. Diz-se que ele aterrorizava a região de Recife na segunda metade do século XVIII. Mas o movimento só ganhou corpo mesmo no final do século XIX. Nesta época, o nordeste passava por momentos difíceis e homens criminosos espalhavam o terror com suas vidas nômades. Já o primeiro grupo propriamente dito foi o de Jesuíno Alves de Melo Calado, chamado de Jesuíno Brilhante, que também praticou seus atos criminosos na segunda metade do século XVIII.
As origens do movimento estão nas próprias questões sociais e fundiárias do Nordeste. Para enfrentar tal panorama, homens isolados ou em bandos assaltavam fazendas, sequestravam e matavam coronéis e saqueavam o que podiam. Os cangaceiros, em geral, viviam cometendo crimes, fugindo e se escondendo. Mas havia três grupos no Cangaço. Um deles prestava serviço aos próprios latifundiários, logo, não eram tão fugitivos assim.

Havia um segundo grupo que representava mais ainda os poderes locais dos fazendeiros, tanto que eram conhecidos como “políticos”. Estes, consequentemente, gozavam até de certa proteção. Somente um terceiro grupo que era independente e que praticava uma vida bandida por conta própria. Todos eles, contudo, conheciam bem a natureza do cerrado brasileiro e, por isso, tinham ampla vantagem na hora de fugir das autoridades. Era da natureza também que tiravam todos os recursos para enfrentar as adversidades.
O cangaceiro mais famoso da história, sem dúvidas, foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Sua importância para o movimento é tamanha que, por vezes, é chamado de Senhor do Sertão ou Rei do Cangaço. Suas ações são bem mais recentes, junto com seu grupo, atuou nas décadas de 1920 e 1930 em quase todo o nordeste do país. Lampião tinha uma personalidade dúbia. Para as autoridades era um criminoso brutal que precisava ser eliminado. Para a população da região era o símbolo de bravura e de honra.
Cangaço permaneceu vivo por tanto tempo na história do Brasil porque os próprios latifundiários desejavam. Eles o mantinham ativo, pois era alternativa para cobrança de dívida e uma possibilidade para formar os exércitos mercenários em caso de disputas de famílias. O fenômeno só foi atacado definitivamente por ação do Estado no governo de Getúlio Vargas. Este determinou que qualquer foco de desordem no território deveria ser eliminado e empreendeu uma caçada por Lampião, símbolo do Cangaço. Todos os cangaceiros que não se rendiam eram mortos pelo governo, o que aconteceu com Virgulino no dia 28 de julho de 1938. Vários cangaceiros foram degolados e suas cabeças foram conservadas para exposição no nordeste, como forma de demonstração do que aconteceria com os não cumpridores da ordem.
Depois do fim de Lampião, chefes de outros bandos se entregaram. O último grupo famoso foi o de Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido como Corisco, que chegou ao fim no dia 25 de maio de 1940 com a morte de seu líder.



Nenhum comentário:

Postar um comentário